Rituais | História do banho

A história do banho

Não se sabe exatamente quando as pessoas começaram a tomar banho por prazer, por objetivos
medicinais, por motivos religiosos ou por finalidades terapêuticas. Mas, apesar disso, há provas
de que o homem pré-histórico fazia construções especiais para se banhar. Há registros de que as
pessoas já se banhavam no mar, nos rios, nos lagos e nas fontes.

Na maioria das culturas antigas, praticamente tudo o que se fazia tinha uma divindade que lhe seria
propícia. Muitas vezes, ela também estava associada à medicina e à saúde.

No Egito antigo, Thot, o deus da sabedoria, da escrita e da medicina, era considerado a melhor
divindade para cuidar da pessoa que tomava banho. Depois dele, vinha Bes - o senhor da Chalana,
uma pequena embarcação com fundo achatado, o deus do casamento, que cuidava do parto e do
banho das crianças e mulheres. Os gregos antigos invocavam a proteção de Hera, a mulher de
Zeus, durante o banho. Hera também era conhecida como grande Deusa Juno e que denominou o
nome do mês de junho (junanius, em romano), e deusa do matrimônio, da honra aos compromissos.
Mais tarde, ela teve a companhia de Asclépio, o deus da saúde, e de sua filha Higéia (da qual vem a
palavra higiene).

Nos templos curativos de Asclépio, o banho era considerado parte essencial de tratamentos de saúde.

Os romanos consideravam Minerva, a deusa do comércio, da educação e do vigor, especialmente bem
dotada para cuidar do banho. Fortuna, a deusa do destino, também era representada nas casas de
banho, para proteger as pessoas quando estavam mais vulneráveis.

Além disso, havia incontáveis ninfas e espíritos associados a fontes e poços locais, venerados como
guardiães do banho.

Para o hindu, banha-se no sagrado rio Ganges para purificação. Já o reverendo Charles Wesley, um
dos fundadores da igreja metodista, disse que "o limpo está perto do divino". Agurueda, o sistema
tradicional da medicina hindu, floresceu com base na sabedoria das culturas mais antigas. O uso do
banho era considerado de extrema importância nessa forma de medicina.

Nas regiões de Cnossos e Creta, nas casas de famílias ricas, banheiras de argila eram utilizadas
para uso pessoal - eram muito parecidas com as nossas modernas banheiras destinadas à completa
imersão do corpo.

Também os gregos tomavam banhos por prazer ou para ter uma vida saudável. Os médicos louvavam
as virtudes dos diferentes tipos de banho e aconselhavam o uso de óleos na água para untar o corpo
antes de as pessoas se secarem.

No século I a C., um médico grego, Asclepíades de Bítinia, conquistou a grande fama em Roma, onde
fundou a escola metódica de medicina. Era a favor do uso de remédios com efeitos opostos aos
sintomas da doença, assim como dietas generosas, muitos exercícios e banhos.

É provável que esse médico tenha sido o grande responsável pela introdução do ideal romano de
banhos freqüentes e, indiretamente, pelo entusiasmo com que os romanos construíram seus banhos
públicos perto de fontes e poços de água medicinais.

À medida que o império romano foi conquistando a Europa, foram construídas estações de águas em
Aix-le-Bains e Vinchy na França - chamadas de "Aquae gratianae" e "Aquae calidae" respectivamente -
e em Wiesbaden e "Baden Baden", na Alemanha, de "Acquae mattiacae" e "Aurelia aquensis". Em Bath,
na Inglaterra, eram chamadas de "Acquae sulis".

Foram construídos banhos públicos em quase todas as cidades romanas, e a maioria dos cidadãos
ricos tinham o seu próprio banho privado. Originalmente, os banhos romanos eram com água fria e
pequenas piscinas para nadar.

A influência grega converteu-se também ao uso do banho a vapor, com a finalidade de abrir os poros
da pele e induzir a transpiração. É provável que, no começo, o banho fosse usado para limpar a pele,
mas os benefícios medicinais dos diferentes tipos de água, do vapor e da transpiração transformaram
toda a atividade em algo prazeroso e curativo.

Toda a tecnologia e a capacidade artística dos romanos aparecem nas construções dos banhos. A
engenharia romana inventou o "hipocausto", um sistema que envolvia um pavimento construído sobre
câmaras de gás que esquentavam os cômodos por meio do assoalho. Os artistas criaram belos
mosaicos, pinturas murais e enchiam os cômodos de estatuetas e fontes.

Uma casa de banhos romana era constituída por várias salas, que a pessoa percorria uma a uma. A
primeira se chamava "frigidarium", por ser uma sala fria sem aquecimento, na qual a pessoa se
trocava e se refrescava com um banho inicial frio de chuveiro ou banheira.

Depois, passava para a "tepidarium", a sala quente, que era a primeira a receber um certo calor do
hipocausto por baixo do piso. Aqui, esfregavam óleos na pele do indivíduo para dar início ao processo
de abertura dos poros. Logo que a aclimatação começava, passava-se para o "caldarium", a sala em
que o ar já estava quente e úmido em função de um tanque de vapor ligado ao hipocausto. Na verdade,
essa sala era tão quente que não se podia tocar o chão, e a pessoa era obrigada a usar sandálias de
madeiras bem grossas.

No "caldarium", podia-se lavar o rosto no "labnum" central de água fria, uma bacia que ficava sobre um
pedestal e depois recostava-se nos bancos e camas, para transpirar e eliminar as toxinas. Depois
dessas etapas, passava-se para a sala super quente, o "loconicum", antes de voltar ao "frigidarium"
para outro banho frio e secagem.

Na Europa, somente no século XVII o banho se tornou definitivamente restabelecido. Mesmo assim
foram necessários mais de 200 anos para convencer os europeus de que era algo saudável.

Neste século, também foram introduzidas as "casas de sauna". Havia "banhos turcos" públicos,
descendentes do "caldarium" romano que os turcos haviam adotado e modificado. Bem como os
banhos aromáticos foram populares nesse período.

A grande peste ainda estava fresca na memória das pessoas e estas começavam a avaliar a
importância da higiene. Ao mesmo tempo, os perfumes estavam cada vez mais sendo usados.

Seu valor anti-séptico estava sendo reconhecido mais claramente do que hoje se faz, e um banho
perfumado era mais agradável e mais higiênico do que um sem perfume.

O banho no Japão é um ritual cotidiano. Todas as casas têm uma sala de banhos, onde se realiza a
limpeza da pele antes da imersão, uma área espaçosa com banquetas, bacias e canecas, esponjas e
chuveiro manual ou uma torneira que fornece água corrente.

Só se entra na banheira depois de o corpo estar completamente limpo. A água pode ser apenas pura e
quente, mas uma tradição centenária sugere acrescentar-se nelas algumas substâncias medicinais,
embelezadoras, aromatizantes, revigorantes, purificantes, simbólicas ou simplesmente mágicas.

Colocam-se flores como íris, rosa e crisântemo; folhas de "daikon", cenoura, cereja e pêssego; frutas,
como cidrão, tangerina e laranja; raízes de lótus, gengibre e íris; produtos de arroz, como saquê, vinagre
e farelo e toda a enorme variedade de algas. Os puristas plantam, colhem e secam suas próprias
folhas e raízes.

Loja Virtual

rodape
by Guest